segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Moçambique: Orçamento de 2010

O Ministro de Planificação e Desenvolvimento anunciou na imprensa moçambicana que o orçamento de estado em Moçambique vai depender menos da ajuda externa em 2010. Comparado com 2009, a dependência externa do orçamento vai cair em 7 pontos percentuais, para 45% no orçamento total. Esta redução tem um significado muito importante porque sugere alguns progressos na redução da dependência externa crónica de Moçambique. Ainda mais, esta redução acontece numa altura em que o mundo todo está envolvido numa crise financeira e económica.

Entretanto, tenho sérias dúvidas que os "7 pontos percentuais" sejam um motivo de celebração por várias razões. Primeiro, uma vez que estamos numa crise financeira e económica, é normal que ajuda externa reduza porque os nossos doadores foram também afectados. Segundo, a ajuda externa ao orçamento pode reduzir drásticamente sem que a ajuda total ao país reduza. Aliás, ajuda ao orçamento é apenas uma parte da ajuda externa total. É possível que doadores aumentem a ajuda a projectos específicos que não entra necessariamente no orçamento. Terceiro, até que ponto é possível garantir uma redução sistemática da ajuda externa? Será que é possível reduzir mais alguns pontos percentuais da ajuda ao orçamento de 2011 e 2012? Quarto, relacionado com o ponto anterior, não existe uma base sustentável da redução do peso da ajuda externa no orçamento em Moçambique porque o país não conseguiu criar uma base produtiva diversificada, com ligações entre sectores e que seja capaz de gerar receitas fiscais e não fiscais que financiem as despesas do governo. De facto, as receitas fiscais de Moçambique estagnaram-se a volta de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) enquanto as despesas rondavam à volta de 25% do PIB, entre 1990 e 2004.

Em suma, é de louvar o passo dado pelo governo na redução da dependência externa em relação ao orçamento. Temos que começar por algum lugar. Contudo, subsistem dúvidas sobre a capacidade de Moçambique em reduzir continuamente essa dependência.

@Zaqueo Sande